terça-feira, abril 14, 2026
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Importações acumulam altas desde 2021 e preocupam indústria calçadista nacional

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Em crescimento desde 2021, as importações de calçados, em especial asiáticos, têm ampliado os desafios competitivos para a indústria nacional. O alerta é da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Dados elaborados pela entidade, com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), apontam que, no trimestre, as importações somaram 15 milhões de pares e US$ 164,9 milhões, incrementos tanto em volume (+16,9%) quanto em receita (+15,9%) em relação ao mesmo período de 2025. No recorte de março, foram embarcados 5,36 milhões de pares por US$ 55,6 milhões, altas de 7% e 23,8%, respectivamente, ante o mês três do ano passado. Nos últimos cinco anos, as importações do setor já acumularam alta de 90%, em volume. 

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que os números vêm preocupando a entidade. “Em um cenário pouco aquecido no consumo doméstico, o incremento das importações de sapatos, principalmente aquelas realizadas com prática de dumping – com valores artificialmente mais baixos do que os praticados no mercado interno de origem -, em especial provenientes da Ásia, se torna ainda mais preocupante”, comenta. Em março, a principal origem dos calçados importados foi a China, que embarcou ao Brasil 2,95 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 6,78 milhões, altas tanto em volume (+15,7%) quanto em receita (+46,3%) em relação ao mesmo mês de 2025. O preço médio foi de US$ 2,29 por par (em torno de R$ 11,60). Na sequência aparece o Vietnã, com embarque de 1,16 milhão de pares por US$ 27,38 milhões (altas de 35% e 57,8%, respectivamente).

No acumulado do trimestre, os dois países asiáticos também aparecem como destaques nas origens das importações. Entre janeiro e março, foram importados da China 6,13 milhões de pares por US$ 14,88 milhões, incrementos de 17% e 7%, respectivamente, no comparativo com o período correspondente de 2025. Na sequência, aparece o Vietnã (3,67 milhões de pares e US$ 85,64 milhões, altas de 9,8% e 26,6%).

Exportações em queda
O quadro para a indústria calçadista nacional se torna mais preocupante quando se verificam os números das exportações. Entre janeiro e março, foram exportados 26,32 milhões de pares por US$ 210,9 milhões, quedas tanto em volume (-16,6%) quanto em receita (-21,8%) em relação ao mesmo ínterim do ano passado. No recorte de março, as exportações somaram 9,23 milhões de pares e US$ 75,57 milhões, quedas de 12% e 21%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025. 

Conforme a Abicalçados, os números negativos são reflexos das instabilidades na macroeconomia internacional, em especial nos Estados Unidos e na Argentina, os dois principais destinos das exportações brasileiras. No primeiro trimestre, foram embarcados para os Estados Unidos 2,96 milhões de pares por US$ 39,78 milhões, incremento de 1,2% em volume e queda de 27,1% em receita no comparativo com o mesmo período do ano passado. Já para a Argentina, foram exportados 1,54 milhão de pares por US$ 23,68 milhões, quedas de 57,1% e de 61,1%, respectivamente, em relação ao mesmo intervalo de 2025. 

Estados
O principal exportador brasileiro do setor é o Rio Grande do Sul. No trimestre, partiram das fábricas gaúchas para o exterior 8,18 milhões de pares por US$ 105,77 milhões, quedas tanto em volume (-4,6%) quanto em receita (-15,9%) em comparação com o mesmo período do ano passado.  

Na sequência, aparecem o Ceará e São Paulo. O primeiro, no trimestre, embarcou 8,15 milhões de pares por US$ 42 milhões, quedas tanto em volume (-32,9%) quanto em receita (-32,9%), enquanto o segundo exportou 1,3 milhão de pares por US$ 19,15 milhões, reveses de 26% e 24,4%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025. 

Foto: Divulgação